Ninguém é tão feliz assim

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Você quer ser feliz, eu sei. Quem não quer? Mas existe um problema na forma como idealizamos isso de “ser” feliz. Parece até que um dia a felicidade vai chegar e ficar para sempre. Como se um dia fossemos viver uma tremenda plenitude, vendo o lado bom de tudo e pronto.

Hoje está muito forte essa cultura de gratidão, olhar o lado bom das coisas, pensar positivo. Sim, isso tudo é bom, mas vou te contar uma coisa que não é todo mundo que admite: é impossível ser assim o tempo todo.

Ninguém, ninguém mesmo, é tão feliz assim. A gente fica por aí mostrando o lado legal da vida nas redes sociais, mas toda pessoa tem suas próprias batalhas. E se estivéssemos satisfeitos com tudo, ficaríamos sempre parados no mesmo lugar. Não ia ter evolução, não ia ter mudança. Qual a graça disso?

Sério, não se iluda achando que uma coisa ou um momento vai te trazer felicidade plena. Isso nem existe. Às vezes estamos felizes, às vezes tristes, e tudo bem! Você não precisa (nem vai) estar feliz o tempo inteiro.  

O encontro e a despedida

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Eu não lembro quando foi que eu te conheci. Lembro que estranhei um pouco seu jeito, mas eu ficava empolgada com a forma que você simplesmente não me tratava diferente do resto da galera, mesmo mal me conhecendo. Mas eu me lembro do dia em que eu finalmente comecei a conhecer quem você é de verdade, sabe? Acho que foi o dia em que a gente finalmente se encontrou. Finalmente reconheceu um no outro algo diferente.

A gente tava naquele bar de sempre, cada um no seu canto, aproveitamos o dia cada um de jeito, e na hora que fui te dar tchau ficou aquele clima meio estranho de “ops, quase te beijei”. E essa brincadeira virou um selinho. E esse selinho virou um beijo. E esse beijo rendeu histórias.

Esperei nada de você. E acho que é por não esperar nada que tanta coisa me surpreendeu. Desde aquele “bom dia” no dia seguinte, até a forma como a gente se dava bem mesmo tendo quase nada em comum. Eu nunca pensei que você me encantaria.

Foi tudo tão de repente que eu mal tive tempo para assimilar tudo o que estava acontecendo. Eu só sei que eu fui ficando porque eu gostava do que você me fazia sentir. Eu me sentia segura dentro do teu abraço, eu sabia que você me daria bons conselhos sobre as coisas mais complexas que eu estivesse pensando, eu adorava quando você não se aguentava e acabava soltando sobre como eu era especial para você.

Entre um encontro e outro, eu fiz você ouvir pop e ficar irado com o quanto eu conseguia transformar até funk em uma música nossa. E eu adorava gargalhar enquanto você tentava inventar alguma dancinha babaca. Aí depois você colocava um rap e ficava empolgadíssimo em me explicar tudo o que a música representava.

Entre uma briga e outra, a gente desistiu e depois tentou de novo várias vezes. Nesses contratempos você acabava nervoso ao deixar escapar que eu estava fazendo você confundir sentimentos e que você não conseguia entender o que estava passando dentro de você, já que nunca foi bom com isso. E depois de um beijo ou outro você sempre acabava admitindo que não tinha nenhuma outra menina que te deixasse louco do jeito que eu fazia.

Eu não sei em que ponto a gente se perdeu. Eu não sei em que parte nosso caminho levou a gente para aquela noite, na rua daquele mesmo bar, sentados na calçada em plena madrugada, sem ninguém pra acompanhar. Eu não sei como é que a gente chegou no ponto de olhar com raiva um pro outro, falar coisas terríveis, pra depois se abraçar em tom de arrependimento.

Eu não sei como é que chegamos nessa despedida. Eu chorando nos seus braços enquanto você me abraçava como se quisesse me proteger de todo mal do mundo, mesmo sabendo que o mal também estava ali entre nós dois. E eu repetia que não queria que acabasse desse jeito. E você me dizia “você sabe que não vai acabar”.

Mas acabou. Acabou sem grandes explicações e sem necessidade de acordo. Entre tantas e tantas diferenças, a gente simplesmente concordou na hora de parar mesmo sem ter que avisar. E você deve imaginar o quanto está sendo difícil pra mim, mas eu sei que é melhor assim.

Não quero sentir raiva, não quero guardar mágoas, te desejo só coisas boas. E por mais que agora esteja doendo, um dia vai passar. E o que eu realmente quero guardar de você é o encontro, não a despedida.

Não se culpe por sua tristeza

Não Se Culpe Por Sua Tristeza

Se tá doendo, é porque tem motivo. Simples. Não vou mentir, pode ser mesmo que você se lembre desse momento daqui alguns dias e veja que a situação não é tão complexa quanto parece agora, mas se agora tá doendo, deixa doer.

Não é drama. Não deixe que alguém diga que é. Respeite seu sentimento e exija que os outros o respeitem. Não se culpe por sua tristeza. Você não é obrigada a saber lidar com tudo, por um motivo bem simples: isso é impossível.

Tem coisa que parece pequena e vai causar machucados grandes, e isso não faz de você uma pessoa fraca. Cada sentimento tem uma razão para estar aí dentro, e isso vai passar porque você vai aprender como lidar com cada um deles, mas se nesse momento você não sabe, não tem problema.

O discurso que a gente tem que ver o lado positivo das coisas é maravilhoso, mas na prática é muito difícil aplicar isso sempre. Não fique se martirizando por agora não estar enxergando o lado bom, isso só vai te deixar ainda mais triste.

Aceite o que você está sentindo nesse momento, chore o que tem que chorar, fale o que tem que falar e, aos poucos, entenda sua dor. Quando você entendê-la, vai buscar maneiras de enfrentá-la. Vai passar.

Mensagem

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Hoje eu acordei com vontade de te mandar uma mensagem. Pela primeira vez em muito tempo, não era para jogar conversa fora, pedir para te ver, ou simplesmente falar sobre aquele cantor que cê gosta.

O que eu queria mesmo era te mandar umas verdades que até agora eu não consegui dizer. Queria te falar o quanto tá doendo aqui dentro, o quanto tá difícil essa luta pra te esquecer. Queria dizer que cê não sabe o quanto foi difícil abrir meu coração mais uma vez. Que eu tenho certeza que um dia cê vai aparecer dizendo que sente minha falta.

Mas eu não fiz isso, guardei tudo para mim. Não fiz porque não vale a pena. Nenhuma palavra minha faria você mudar de ideia. Não fiz porque cê diz que fica mal toda vez que te falo que cê me machucou, e eu vou evitar te fazer mal, apesar de não ter recebido isso de você.

É engraçado pensar que, lá no começo, eu fui entrando nessa história bem devagarzinho porque tava morrendo de medo de me machucar, e, de alguma forma, você me surpreendia e deixava tudo bem.

Quando eu finalmente deixei meus medos de lado, você jogou tudo pro alto. Acho que os dois mudaram de ideia ao mesmo tempo, mas o resultado disso não foi bom pra mim.

E enquanto você festeja por aí, acompanhado de alguma dessas meninas que você faz questão de falar mal e rebaixar, eu tô aqui, quietinha, esperando a dor passar. Esperando a saudade passar. Ainda assim, acho que estou melhor que você.